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Conheça a chinesa Bytedance, a startup mais valiosa do mundo

VICTOR CAPUTO – ATUALIZADO EM
 
Fundador da Bytedance, startup mais valiosa do mundo, Zhang Yiming conseguiu um feito raro: sucesso na China e no resto do mundo (Foto: Giulia Marchi/Bloomberg via Getty Images)
OUSADIA: Zhang fez sua empresa crescer sem o financiamento das três grandes companhias de internet na China (Foto: Giulia Marchi/Bloomberg via Getty Images)

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Uma teoria tem ganhado força nos últimos anos: existiriam duas internets, uma da China e outra do resto do mundo. A divisão seria acentuada pelo controle do governo chinês sobre o mundo virtual — o “great firewall of China”, um jogo de palavras em inglês que brinca com a abrangência do firewall governamental e a Muralha da China. Por lá, gigantes ocidentais da internet, como Google, Facebook e Twitter, não têm vez.

As líderes chinesas, como Baidu, Tencent e Alibaba, também não alcançaram sucesso no Ocidente. Zhang Yiming, 36 anos, pode ser o primeiro a fazer uma “ponte” entre esses dois mundos — o que causa conflitos com empresas locais e assusta as competidoras estrangeiras. Ele é fundador da Bytedance, startup que ganhou fama após destronar a toda poderosa Uber como startup mais valiosa do mundo em 2018 — a Bytedance é avaliada em US$ 75 bilhões e deve realizar seu IPO o mais tardar no ano que vem, afirmam os especialistas. Mas se você nunca ouviu falar de Zhang e sua companhia, não se sinta mal.

A Bytedance, cujo faturamento deve chegar a US$ 14,8 bilhões em 2019, é uma máquina de desenvolvimento e uso de inteligência artificial (I.A.). Essa tecnologia é usada em uma rede social com foco em vídeos divertidos, o TikTok, ou em um aplicativo de notícias chamado Toutiao. O TikTok é o produto de maior sucesso da startup fora da China, com cerca de 1,2 bilhão de usuários globalmente. No primeiro trimestre deste ano, foi o terceiro app mais baixado do mundo — perdeu apenas para WhatsApp e Messenger, ambos do Facebook.

As métricas de engajamento também impressionam. De acordo com dados internos obtidos pelo The Wall Street Journal, em março deste ano o usuário médio visitava o TikTok mais de oito vezes por dia e gastava cerca de 45 minutos nele. Acessar o aplicativo é abrir uma janela para um mundo paralelo — ao menos para quem tem 20 e poucos anos, ou menos. Primeiro, nem é preciso ter uma conta para usar.

Outra particularidade é que os vídeos não são compartilhados somente com amigos, mas com toda a base de usuários, em um formato mais parecido com o YouTube do que com o Instagram. Os vídeos são diversos: uma menina se maquiando como Michael Jackson; uma pessoa brincando com um filhote de leão que boceja; e muita comida. O que há em comum entre eles são bom humor, potencial viral e cortes dinâmicos.

Fundador da Bytedance, startup mais valiosa do mundo, Zhang Yiming conseguiu um feito raro: sucesso na China e no resto do mundo (Foto: Giulia Marchi/Bloomberg via Getty Images)

Antes de começar sua própria companhia, Zhang teve uma amostra de que consumidores nem sempre sabem bem o que querem. Enquanto era desenvolvedor de uma empresa de venda de viagens, criou um algoritmo que sugeria ofertas, em vez de esperar que o consumidor fosse atrás delas. De acordo com um investidor da Bytedance, foi somente em 2013, após o Google descontinuar o Reader, seu leitor de notícias, que Zhang maturou a ideia de sua startup.

Na opinião do chinês, o Google Reader era complexo demais e exigia que o usuário soubesse o que queria ler, quais sites gostaria de acompanhar — trabalho que, segundo ele, deveria ser feito mediante o uso de algoritmos e inteligência artificial. Saiu daí o primeiro grande hit da companhia, o Toutiao, um aplicativo de notícias que usa I.A. para oferecer conteúdo.

Os dados trouxeram outra descoberta a Zhang. Apesar da oferta de conteúdo de qualidade e relevância, os usuários preferiam gastar tempo e se engajar em notícias sensacionalistas ou divertidas. Como resposta, em 2016, Zhang lançou o Doying, uma rede social de vídeos curtos — que viria a ser chamado TikTok em sua expansão internacional.

Extremamente reservado, Zhang raramente dá entrevistas. Quando aparece em público, prefere ser chamado por seu primeiro nome, uma prática pouco usual na China. Mas o que ele tem de tímido, o empreendedor tem de ousado. Zhang já participou de discussões públicas contra outros grandes nomes da tecnologia chinesa. Em 2018, acusou Pony Ma e sua companhia, a toda poderosa Tencent, de ter bloqueado o acesso a conteúdo do TikTok — inclusive dentro do WeChat, aplicativo de mensagens mais popular da China.

A Tencent, por sua vez, processou a Bytedance por práticas anticompetitivas. Um dos grandes feitos da Bytedance, aliás, é ter crescido e ganhado relevância na China sem financiamento de uma das três gigantes da internet do país.

No mundo ocidental, a relação também é tumultuada. Uma investigação recente mostrou que o TikTok tornou-se um dos principais anunciantes de outras redes sociais, como Snap, Facebook e Instagram. O objetivo é claro: ganhar usuários desses concorrentes. Além disso, a empresa de Zhang tem estudado alguma grande aquisição.

A startup teria interesse em comprar a Snap — mas somente se a rede social de Evan Spiegel desse lucro. A startup de Zhang também já teria demonstrado interesse em adquirir o Twitter e o Quora. Em 2016, ainda teria feito uma oferta pelo Reddit, que foi recusada.

Fonte: Época Negócios

14 de julho de 2020

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